YouTube diz que vídeo em que Bolsonaro fala que se ‘safou’ tomando cloroquina não atingiu critérios para ser removido

O YouTube atualizou sua política de uso no último dia 16, dizendo que tiraria do ar vídeos que recomendassem o uso de hidroxicloroquina ou ivermectina para o tratamento ou prevenção da Covid-19, uma vez que eles não têm eficiência comprovada. Desde logo, 5 publicações do presidente Jair Bolsonaro que continham o tema foram derrubadas.

Todas elas eram oriundas das lives que ele faz às quintas-feiras.

Três desses vídeos tirados do ar foram apontados pelo Portal Web Rádio Xis. Um quarto exemplo, no entanto, não atingiu os critérios para remoção, segundo a empresa, por isso continua na plataforma.

Pelas regras divulgadas no último dia 16, o YouTube passaria a retirar, inclusive de forma retroativa, vídeos que tivessem:
teor que recomenda o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19;
teor que recomenda o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para prevenção da Covid-19;
afirmações de que ivermectina ou hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a Covid-19;
alegações de que há um método de prevenção garantido contra a Covid-19;
afirmações de que determinados remédios ou vacinas são uma cura garantida para a Covid-19

Nesse vídeo que, segundo a plataforma, não atingiu os critérios para remoção, Bolsonaro afirma:
“Eu não quero discutir a cloroquina aqui. Eu tomei e me safei, muita gente tomou e se safou. E isso chama-se tratamento precoce ou tratamento imediato, ou tratamento ‘off-label’, o médico tem o direito de bem receitar o que ele achar que é o melhor para o paciente.”

Há ainda uma fala em que o presidente menciona a ivermectina, outro medicamento sem eficiência comprovada para combater a Covid: “É exemplo de Chapecó, o prefeito lá, o João Rodrigues, lá os médicos têm liberdade para receitar o que ele encontrar melhor. Se ele acha que vai ser a cloroquina, vai ser, a ivermectina, vai ser, seja lá o que for”.

O YouTube diz que os temas tratamento precoce ou os medicamentos hidroxicloroquina e ivermectina não são, a rigor, violações, e que isso depende do contexto em que são mencionados, como descrito na Central de Ajuda da plataforma.
E ainda que as políticas do YouTube buscam uma estabilidade entre proteger os usuários de teor nocivo e, ao mesmo tempo, preservar a liberdade de expressão.
E que, quando não há uma violação à política de uso do YouTube, a decisão final sobre a urgência de remoção de um conteúdo cabe ao Poder Judiciário, de concordância com o que estabelece o Marco Civil da Internet.

Conta não foi suspensa
Com 5 vídeos derrubados em uma semana, o canal de Bolsonaro continua no ar, o que vai de encontro à política do YouTube. A empresa informou que a penalidade não foi aplicada devido à existência de um “período” de carência” para que os criadores de conteúdo se adaptem quando a política é atualizada.
Pelas regras do YouTube, na primeira vez que um canal viola as políticas de uso, o criador recebe somente um alerta, “informando que ele precisa saber melhor as regras”. Se desrespeitar as regras uma segunda vez, vem o primeiro Aviso (também chamado de “strike”, em inglês).

“Se você receber três avisos em 90 dias, seu canal será removido permanentemente do YouTube. Vale lembrar que cada aviso leva 90 dias, a partir da data de emissão, para expirar”, diz a plataforma.
No entanto, a empresa informou ao Portal Web Rádio Xis que, no caso de violação que envolva uma regra que foi atualizada recentemente, existe um “período de carência” de 1 mês, a partir da implementação da política.
Isso significa que vídeos postados antes da mudança ou até um mês depois da atualização são removidos, mas não geram um aviso (“strike”) como penalidade. Assim, as 5 violações não resultaram na suspensão do canal de Bolsonaro.
Depois desse “período de carência”, os criadores que postarem novos vídeos em desacordo com a diretriz passam a receber sanções e, por isso, deverão redobrar a atenção, completa o YouTube.
As informações sobre a existência dessa “carência” foram publicadas na última quinta, no blog da empresa, somente em português.