Evolução tecnológica torna radioterapia mais precisa e reduz efeitos colaterais.

Apesar da palavra câncer ter sido mencionada pela primeira vez na história da humanidade no ano de 2600 antes de Cristo, em um papiro egípcio, ela ainda assusta, paralisa e deixa sem chão quem recebe esse diagnóstico. Mesmo sendo uma doença milenar, o terror, a insegurança, a incerteza e muitas vezes a falta de informação sobre o tema levam o paciente a fazer as inevitáveis perguntas: tem tratamento doutor? Quais as chances de cura? Vou morrer?

Para ajudar a responder a esses questionamentos, o paciente tem um forte aliado: o progresso da medicina. As pesquisas, somadas às novas tecnologias têm sido fundamentais para tratar todos os tipos de câncer, reduzir os efeitos colaterais, proporcionar qualidade de vida e bem-estar aos pacientes e, é evidente, trazer a cura.

Entre os tratamentos contra o câncer que mais evoluíram nas últimas décadas está a radioterapia, um dos três pilares no combate ao carcinoma, junto com a quimioterapia e a cirurgia. “Por volta de  60% dos pacientes que têm câncer utilizarão a radioterapia em algum momento do tratamento, independentemente do tipo de câncer”, explica o rádio-oncologista Cláudio Barros Ohashi, 44 anos [CRM/RQE: 7924-2091/2092], que trabalha na Clínica Oncomed.

Desde que as primeiras experiências com radioterapia foram descobertas, em 1896, pelo professor de Física alemão, Wilhelm Conrad Roentgen, os métodos e as máquinas que fornecem terapia de radiação não param de evoluir, com diversas modalidades e indicações.

Reconhecida como uma especialidade médica pelo Congresso Mundial de Oncologia de Paris, em 1922, a radioterapia chegou ao século 21 dispondo de aparelhos de última geração, com altíssima precisão e que são capazes de destruir às células “doentes” sem promover danos às células “sadias” que estão próximas ao tumor.

“Essa evolução tecnológica tornou a radioterapia mais precisa e segura. Antes dessa evolução, para tratar um câncer de mama, por exemplo, nós íamos lá, delimitávamos onde era a mama e aplicávamos a radioterapia no lugar, usando aparelhos que continham cobalto, césio…. A delimitação era visual, nós olhávamos e região e tratávamos toda ela”, explica Ohashi.

Em casos de um câncer mais interno, como o de próstata, era feito um raio-X, a partir dele era determinada e marcada a região – anterior e lateral – e aplicada a radioterapia. “Na década de 90 houve uma grande mudança, quando começou a ser usada a radioterapia conformacional, ou seja, saímos do plano visual para colocar mais um instrumento, a tomografia. Isso foi importantíssimo, pois passamos a ter uma visão tridimensional, passamos a ter um planejamento visual, saímos de duas dimensões – anterior e lateral – para uma visão tridimensional, ganhamos nesse momento a profundidade”, relata o profissional.

A evolução tecnológica da radioterapia, que veio com força total na década de 90 e início do ano 2000, impactou diretamente na vida do paciente oncológico, trazendo a ele maiores chances de cura, redução dos efeitos colaterais, mais qualidade de vida e menos tempo de tratamento.

A radioterapia conformacional trouxe avanços importantíssimos. O rádio-oncologista em vez de olhar a região, passou a determinar onde está o tumor, com exames de imagem de alta precisão. “Antes, no plano bidimensional era assim: a gente não estava vendo a próstata, estava vendo que a próstata estava ali, naquela região e, logo, aquela região era tratada. Todo o lugar recebia a mesma dose de radioterapia, tecidos doentes e sadios, na mesma intensidade. Quando eu vou para um plano tridimensional, em que sei a conformação da próstata, em vez de fazer uma próstata de 30 cm cúbicos, eu delineio e dou uma margem de segurança, de por exemplo, 1 cm para cada lado. Em vez de fazer um campo de 10 cm e faço um campo de 6 cm, nas três dimensões”, detalha o médico.

IMRT – o que é isso?
Na radioterapia conformacional, o tumor é tratado com a mesma intensidade, igual para todos os pacientes, ou seja, é linear, o mesmo campo que entra em cima, entra na lateral e tem a mesma intensidade. E foi exatamente nesse ponto que a radioterapia mais uma vez evoluiu, surgindo a chamada Radioterapia de Intensidade Modulada – IMRT – uma avançada modalidade de tratamento altamente preciso que permite dirigir altas doses de radiação aos tumores, minimizando as doses nos tecidos normais.

“O grande benefício que o IMRT trouxe foi a redução dos efeitos colaterais para os pacientes. Se eu reduzo o campo de tratamento, eu reduzo a intensidade da radiação naquele tecido que está ao lado, que eu não preciso tratar. Toda vez que a gente fala em efeito colateral da radioterapia, normalmente a gente fala de efeito local. Se eu vou tratar uma mama, por exemplo – se for mama esquerda – tem o coração e o pulmão logo detrás, tem o gradil costal, tem a pele, tem musculatura… é essa região que vai sofrer. Se a paciente tem prótese, posso provocar na região da cicatrização um encapsulamento da prótese, fazer com que a paciente perca essa prótese, existe essa possibilidade. Com a intensidade modulada eu consigo diminuir esse tecido que eu não preciso tratar, um tecido sadio, se eu consigo reduzir esse tecido eu consigo diminuir os efeitos colaterais”.

O rádio-oncologista Cláudio Barros Ohashi cita ainda o câncer de próstata. “Antes você abria um campo de mais ou mesmo 10 por 10 cm, a gente via as dimensões e tratava toda aquela região, hoje dificilmente a gente abre um campo 10 por 10. Por causa da conformação hoje é um campo bem pequeno”.

Quando maior a área atingida pela radioterapia, maiores as chances de efeitos colaterais. No caso do câncer de próstata, por volta  de 20% dos pacientes tinham complicações, como retite ou cistite. Com a radioterapia conformacional ou IMRT esse percentual cai até pela metade.

Redução no tempo de tratamento
Além de reduzir os efeitos colaterais, outro progresso da radioterapia é o tempo de tratamento, que tende a ser cada vez menor, cm dois meses de tratamento. “
Nossa meta é diminuir para 20 dias úteis e depois para cinco dias de aplicação, com o mesmo efeito biológico”, prevê o profissional.

Sonho? Não. Progresso da medicina. Com isso, o paciente faz o tratamento em menos tempo, tem mais qualidade de vida e tem as mesmas chances de cura. “Isso tem um impacto psicológico muito grande. O paciente poderá mais rapidamente retomar sua vida e isso é muito importante para quem faz esse tipo de tratamento”, garante o médico.

Desde que implantou o serviço de radioterapia, em 2016, a Clínica Oncomed trouxe para Cuiabá o IMRT, sendo pioneira no Estado nesta modalidade de tratamento. Desde então, 412 pacientes foram atendidos, sendo 160 com câncer de próstata.

DIRETOR TÉCNICO RESPONSAVÉL: MARCELO MANSUR BUMLAI CRM-MT: 2663