‘Trap da sofrência’: quem é Bin, o rapper que dá pegada brasileira à batida dos EUA

Cantor carioca de 22 anos subiu nas paradas ao misturar trap com ‘sofrência’ e melodia de pagode. Portal Web Rádio Xis mostra novos cantores que furam a bolha do estilo em podcast. O trap nasceu narrando a vida dura nas ruas de Atlanta, nos EUA, mas também pode cantar as agruras da paixão no Rio de Janeiro. Bin, 22 anos, estourou ao juntar o subgênero do rap americano com sotaque carioca, sem temor de assumir que faz parte do grupo dos passionais MCs.

Bin tem hits como “Marília Mendonça”, que ganhou o apelido de “trap da sofrência”, “Saturno”, com melodia inspirada em pagode, e a nova “Castelo de areia”, mais no padrão da batida americana, mas puxando para o romantismo e até para o pop das dancinhas de TikTok.

Bin é de Belford Roxo, na Região Metropolitana do Rio. Ele começou a gostar de rap ouvindo Marcelo D2. Mas na sua residência se ouvia também outros sons cariocas. “Grupo Disfarce, esse pessoal assim mais melódico mesmo, mais romântico, sabe? Hoje em dia eu tô ouvindo muito Dilsinho”, conta.

‘Trapagode’
“Eu tinha botado na cabeça que ia fazer uma letra que a pegada ia ser meio que um pagode macróbio. Eu ouvia muito pagode e os caras falavam muito sobre isso. Os romances assim. E foi mal eu escrevi ‘Saturno'”, Bin conta sobre uma das músicas mais tocadas dele.

Mas o maior sucesso do Bin até hoje é o tal “trap da sofrência”, “Marília Mendonça”, de maio de 2020. Ele diz que escreveu a música “meio sem querer”.
A associação não é aleatória. Desde a origem nos EUA, o trap tem batidas e letras pesadas e sombrias e também com espaço para a melancolia.
“Eu estava começando a redigir meu álbum (“Para todas as mulheres que já rimei”). Fiz duas músicas, mandei para um colega meu e comentei com ele: meu álbum tá ficando muito ‘de sofrência’, parecendo até Marília Mendonça. Aí foi que tive a ideia”, diz.

“Eu falei: ‘Pô, é isso, vou fazer uma música em homenagem a ela. E deu certo”. A música de Bin já foi tocada mais de 42 milhões de vezes no YouTube, cifra digna da própria Marília (“Troca de calçada”, faixa que a sertaneja lançou há dois meses, tem o mesmo número de views).

Passionais MCs
Bin enxergava uma cena de rap em que “ninguém fala assim: ‘Ah, eu sofro’. ‘Ah, minha mulher me traiu’. Os caras sempre falavam que eles que traem”. “Aí eu quis tentar bater de frente com isso. Mostrar que o contrário também acontece, e que a gente não é menos homem por culpa disso.”
“Não só a cena do rap, mas o nosso país tá muito assim, né? O homem pode fazer tudo. E eu quis mostrar que o contrário também acontece. Ele também sofre”, diz Bin.
“E quando a gente magoa, às vezes não é querendo magoar. A gente também é humano, a gente também sente. A gente ama também”, reflete.

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