Senadores republicanos bloqueiam reforma eleitoral nos EUA

Os republicanos bloquearam na terça-feira (22) no Senado dos Estados Unidos o projeto democrata de proteção ao acesso ao voto — uma resposta às mudanças que o Partido Republicano tem promovido na legislação eleitoral em diversos estados.

O tema causa polêmica devido à eleição presidencial americana, que ficou marcada por acusações infundadas de fraude pelo ex-presidente Donald Trump. Ele perdeu a disputa para continuar na Casa Branca para Joe Biden.

A oposição republicana descartou um acordo bipartidário para confirmar o projeto (For the People Act, ou “Lei Para o Povo” em tradução livre) e se uniu para impedir a maior reforma eleitoral do país em décadas.
A Câmara de Representantes, que é controlada pelos democratas, aprovou o projeto em março. Mas eram necessários 60 votos para começar a debatê-lo no Senado, onde cada um dos partidos tem 50 cadeiras.

A “Lei Para o Povo” (For the People Act) é uma reação dos democratas aos esforços do Partido Republicano para concordar novas regras eleitorais em dezenas de estados.

A Lei para o Povo (For The People Act) visa garantir que os americanos possam votar pelo correio sem restrições e tenham acesso total à votação antecipada. Também reforma as leis de financiamento de campanha e tenta impedir o redesenho das linhas distritais de concordância com os interesses partidários, uma prática contestada conhecida como ‘gerrymandering’.

O líder democrata Chuck Schumer fez um apelo infrutífero aos seus colegas de bancada.

“Vamos permitir que o presidente mais desonesto da história continue a envenenar nossa democracia por dentro ou vamos nos levantar para defender o que gerações de americanos exigiram, se organizaram, reivindicaram nas ruas e morreram: o sagrado direito de votar?”, perguntou.
Em seguida, Schumer fez uma repreensão mordaz aos republicanos. Enquanto todos os democratas votaram para proteger o acesso ao voto, “a supressão do voto tornou-se parte da plataforma oficial do Partido Republicano”, criticou.

O bloqueio do projeto continuará a ser uma tempestade que paira sobre as eleições de meio de mandato de 2022 e além.

Havia a preocupação de que alguns democratas moderados, liderados pelo senador Joe Manchin, não apoiariam o texto.

Manchin, no entanto, ficou ao lado do partido depois que seus líderes chegaram a um “acordo de bom senso” que ele propôs.

– Sob ataque -A Casa Branca admitiu que a votação do texto poderia fracassar, mas também emitiu uma declaração de suporte na qual destacou que o direito ao voto dos americanos “está sob ataque” como resultado de decisões tomadas pelos republicanos em legislaturas estaduais.

Os republicanos permaneceram firmemente contra a iniciativa democrata.

O principal republicano do Senado, Mitch McConnell, disse em um discurso antes da votação que este projeto democrata é um “plano distintamente partidário para inclinar todas as eleições nos Estados Unidos permanentemente a seu favor”.

Agora, os democratas estão sob pressão para superar o obstrucionismo, um procedimento que permite que a minoria do Senado bloqueie a legislação, a menos que o projeto de lei obtenha o suporte de 60 dos 100 membros da Câmara.