Seita hindu é acusada de usar trabalho forçado para edificar templo nos EUA

Recrutados na Índia para trabalhar no maior templo hindu da região metropolitana de Nova York, eles trabalharam 11 horas por dia, sete dias por semana, por US$ 1,20 a hora. Agora, seis dessas pessoas processam a seita hindu BAPS por “trabalho forçado”.

A ação contra a seita, que tem uma dezena de templos e é acusada de explorar por volta de de 200 pessoas, foi apresentada nesta terça-feira em um tribunal federal de Nova Jersey. Este estado abriga a maior comunidade hindu nos Estados Unidos, assim como o templo de Robbinsville, o maior do país, inaugurado em 2014 e onde os estrangeiros trabalharam desde 2016.

Os ex-funcionários, todos dalits — considerados intocáveis, na base do sistema de castas da Índia — afirmam ter sido vítimas de “chocantes violações do direito trabalhista mais básico” de 2018 até recentemente.

De volta à região indiana do Rajastão, os seis dizem ter recebido US$ 450 por mês por jornadas diárias de trabalho das 6h30 às 19h30, com somente uma hora de pausa, durante vários meses seguidos. A maioria não teve dias de folga.

Eles asseguram que tiveram os passaportes confiscados ao chegarem a Nova York e que foram obrigados a viver em um lugar fechado. Só podiam transpor acompanhados de guardas do BAPS e estavam proibidos de falar com pessoas do exterior sob a ameaça de uma redução de salário. Segundo a ação, um dos funcionários morreu enquanto era “submetido a trabalho forçado”.

Salários não pagos
A ação coletiva, que poderia reunir por volta de de 200 pessoas que trabalhavam nas mesmas condições, acusa a BAPS de tê-las apresentado de forma fraudulenta como “voluntários” para obter vistos americanos de tipo religioso R-1.

Mas os homens asseguram que não eram voluntários e a maioria nem mesmo está afiliada à seita, ligada ao partido patriótico hindu, no poder na Índia.

Eles pedem que lhes sejam pagos os salários não recebidos e as perdas e danos por um montante não informado.