Segurança pede para criança negra sair de doceria de SP

De acordo com a mãe do menino, a jornalista de 54 anos, o segurança disse para o garoto, que havia acabado de entrar na doceria para encontrar a mãe, que saísse dali porque não era permitida a presença de pedintes no local. O menino ficou revoltado, lembra ela, e ainda questiona se tudo isso aconteceu por causa da cor de sua pele.


A jornalista conta que todas as sextas-feiras espera na doceria, ou em alguma outra loja do centro comercial, o menino sair da terapia, realizada em um local próximo. Desta vez, diz, o terapeuta deixou o garoto no estacionamento e ele se dirigiu à loja para sentar-se com ela.

Nesse momento, a mulher, que é branca e mãe de dois filhos negros adotivos –o garoto tem uma irmã de 14 anos–, afirma que o segurança abriu a porta de vidro, que estava fechada por causa do ar-condicionado, e pediu para o menino sair. Imediatamente, conta, ela pegou o celular, começou a filmar e passou a discutir com o homem.

No vídeo, que teve trecho publicado por ela em suas redes sociais, a mãe questiona várias vezes os motivos de o filho não poder entrar na loja. “Você falou para esse menino que ele não pode estar pedindo”, diz, na gravação, para o segurança. Nas imagens, o funcionário afirma que, segundo regras do condomínio, pessoas não podem ficar pedindo.

Segundo a mãe, seu filho chegou a dizer que aquilo era racismo. O segurança, afirma ela, negou, dizendo que ele também é negro. A jornalista conta que pediu o nome do funcionário e o contato da empresa, que é terceirizada pelo condomínio, mas ele se negou a informar e foi embora.

A funcionária da doceria foi solidária à família, ofereceu café à mãe e brigadeiro para a criança, que conseguiram se acalmar.

Em nota, o centro comercial, que tem mais de dez empreendimentos, disse lamentar o ocorrido, que “repudia qualquer tipo de discriminação, preconceito e violência e preza pelo respeito mútuo” e que “acionou as equipes internas, bem como a empresa de segurança terceirizada, para seguir com medidas cabíveis e necessárias”.

A mãe planeja ir à Justiça. A ideia é que, com isso, consiga fazer com que todas as empresas de segurança tenham cursos contra racismo.

Leia a íntegra da nota do centro comercial

Lamentamos profundamente o que ocorreu em nosso empreendimento no dia 25 de março.

Declaramos que repudiamos qualquer tipo de discriminação, preconceito e violência e preza pelo respeito mútuo.

Reforçamos que nossa empresa possui valores que enalteçam o respeito, o relacionamento, a segurança e a qualidade no atendimento a todos.

Diante de todos os fatos, a diretoria da empresa apurou detalhadamente o caso e acionou as equipes internas, bem como a empresa de segurança terceirizada para seguir com medidas cabíveis e necessárias.

Seguimos atentos aos acontecimentos e reiteramos nosso compromisso em prosseguir e garantir o respeito e a igualdade em todas as nossas condutas internas e externas.