Secretário preso em operação que investiga sonegação fiscal é exonerado em Sorocaba

O secretário de Recursos Humanos da Prefeitura de Sorocaba (SP), Rodrigo Onofre, que foi preso preventivamente durante uma operação de combate a sonegação fiscal, fraude estrutural, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e organização criminosa, foi exonerado da função nesta quarta-feira (12), de concordância com o Jornal Município de Sorocaba, divulgado no site da prefeitura.

Ainda conforme a publicação, a secretária Jurídica Luciana Mendes da Fonseca foi nomeada para exercer, interinamente e cumulativamente, a função de secretária de Recursos Humanos.

Onofre é considerado o responsável pela organização das empresas fraudulentas utilizadas pela organização criminosa, segundo a polícia. Ele foi apresentado na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba e, em seguida, foi levado para depor em São Paulo, onde permanece preso. Um casal suspeito de sonegar R$ 1 bilhão do Fisco paulista também foi preso.

Rodrigo Onofre é advogado e já atuou como analista financeiro de uma empresa multinacional. Ele tem relação direta com o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, desde pelo menos 2017, ano em que foi nomeado assessor de gabinete de Manga quando este era presidente da Câmara de Vereadores.

Em dezembro do ano passado, depois de vencer a eleição para prefeito, Manga nomeou Onofre secretário de Recursos Humanos, função que ocupa desde janeiro deste ano.

Agentes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), do Ministério Público, da Secretaria da Fazenda e da Procuradoria Geral do Estado cumpriram 37 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão. 13 pessoas foram presas em todo o estado de São Paulo e 22 na totalidade.
Entre os alvos da Operação Noteiras estiveram empresários, advogados e contadores de empresas e pessoas físicas, em 23 endereços nos municípios de Guarulhos, Sorocaba, Votorantim, Indaiatuba e Pilar do Sul (SP), além de 10 mandados em Alagoas.

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que o caso em questão não tem relação com a gestão municipal. “As informações que foram passadas é que se trata de um trabalho prestado anos atrás pelo secretário a uma empresa da iniciativa privada que está sob investigação”, disse.

O casal preso em Sorocaba é apontado como um dos principais alvos da operação. Eles são responsáveis por um complexo de sete empresas às margens da Rodovia Raposo Tavares.
Segundo Eduardo Mendonça, agente fiscal da Secretaria da Fazenda do estado, o grupo criava empresas fantasmas em outros estados (neste caso, em Alagoas) e emitia notas de produtos plásticos, setor de atuação dos investigados.

Porém, conforme Mendonça, os produtos não existiam e as empresas eram de fachada. Com isso, os suspeitos usavam os créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para abater o saldo devedor do imposto no estado de São Paulo.
As fraudes ocorreram por meio da emissão de por volta de de 20 mil notas fiscais fraudulentas, no valor aproximado de R$ 4 bilhões, segundo os investigadores. O prejuízo para o estado de São Paulo é estimado em R$ 200 milhões.

A Operação Noteiras investiga um esquema de sonegação fiscal criado por um grupo de empresários do setor de plástico. A apuração começou há dois anos, quando empresas de fachada foram descobertas em Alagoas.
Nesta manhã, as equipes saíram da sede do Ministério Público em São Paulo. Foram por volta de de 60 agentes fiscais da Secretaria da Fazenda, nove procuradores da Procuradoria Geral do Estado, cinco promotores do MP e oito policiais civis de Maceió (AL).
O Dope destacou 140 policiais e 60 viaturas para a ação. Os presos e os materiais apreendidos vão ser levados para a Divisão de Capturas.