Roberta Campos segue por caminhos seguros na trilha solar do álbum ‘O paixão liberta’

No quinto álbum de estúdio, O amor liberta, Roberta Campos abre parcerias com De Maria, Hyldon, Humberto Gessinger e Luiz Caldas. Esses quatro compositores se juntam a um time reduzido que, no álbum anterior da artista, Todo caminho é sorte (2015), incluiu Fernanda Takai.

Em que pese a maior variedade de parceiros, vindos de universos musicais distintos, a assinatura delicada da cantora e compositora mineira prevalece na arquitetura das onze músicas que compõem o repertório inteiramente inédito e autoral do disco gravado entre outubro e novembro de 2020, no estúdio carioca Tambor, com produção musical de Paul Ralphes.

Posto em rotação na última sexta-feira, 30 de julho, em edição da gravadora Deck, o álbum O amor liberta corrobora o fato de que, em origem, Roberta Campos é compositora de canções afetuosas, como a principalmente inspirada De janeiro a janeiro (2008). Canções para as quais geralmente bastam o violão e a voz da artista.

Hábil produtor musical, Paul Ralphes enquadra o cancioneiro de Roberta Campos em molduras que extrapolam sutilmente o aperfeiçoamento folk da obra da artista. Sem tal sutileza, o arranjo de cordas da música O futuro nos aguarda esboça grandiosidade que parece ir contra a natureza intimista das músicas e do canto suave de Roberta.

Sob o prisma da delicadeza, a melodiosa balada Floresço na tua vida se impõe como hit em potencial na boa safra autoral de O amor liberta, álbum anunciado em 16 de julho com a edição do single com o trivial pop reggae Miragem, gravado pela cantora com o toque da banda Natiruts.

Outra música que sugere melancolia é O vento que leva, faixa embalada em leve sopro country que prova que o sol sempre encobre as nuvens na obra da artista. Essa soberania da luz sobre a escuridão é reiterada em cada compasso da música Se a saudade apertar, primeira bela parceria de Roberta Campos com Hyldon, valorizada pelo refrão poderoso.

No arremate do disco, a balada Rosária dá protagonismo ao violão, instrumento perfeito para enfatizar o caráter melodioso da música.

Enfim, o álbum O amor liberta mantém inalterado o status da obra de Roberta Campos, compositora vocacionada para a delicadeza das canções de amor de tonalidade mais íntima.

Ao seguir mais uma vez por esse caminho natural, sem correr riscos (exceto o de soar repetitiva nos temas das canções), Roberta Campos oferece em O amor liberta o que esperam os seguidores da artista. É caminho seguro que, até o momento, tem se mostrado de sorte.