Radialista que morreu de Covid havia tratado câncer meses antes: ‘Não se deixou combalir’, diz esposa

A esperança de um tratamento para tratar o câncer foi tristemente interrompida quando Washington Braz, de 36 anos, precisou ser intubado, dois dias depois de iniciar a quimioterapia em um hospital de Sorocaba (SP).
O radialista ficou quase 20 dias internado, mas não resistiu às complicações causadas pela doença. De concordância com a esposa, Tatiane de Ramos Lino, o câncer já havia comprometido o organismo de Washington, o que dificultou a sua recuperação.
“Ele teve algumas melhoras enquanto estava na UTI, mas o organismo já estava fraquinho. Ele havia até se curado da doença, mas não sobreviveu às complicações”, explica.

Washington deu ingresso no Hospital Samaritano no dia 22 de março, uma segunda-feira. Na quarta, teve sua primeira sessão de quimioterapia. Dois dias depois, na sexta, dia 26, Tatiane foi avisada de que ele seria intubado.
“Ele passou alguns dias no pronto socorro, já que não tinham leitos de UTI disponíveis. Na segunda-feira, quando ele conseguiu a vaga, nós recebemos a notícia de que o pai dele havia falecido”, conta.

Wilson Braz, pai de Washington, morreu no dia 29 de março. Ele também trabalhava como radialista e, segundo a família, contraiu o coronavírus, teve um infarto e não resistiu.
Alguns dias depois, em 7 de abril, Tatiane recebeu a notícia de que o marido, carinhosamente chamado de Tom, também não havia resistido à guerra contra a Covid-19.

Tatiane lembra do marido quase que como um amor de juventude. Os dois se conheceram ainda jovens, há 25 anos. Estudavam na mesma escola e, de quebra, moravam perto um do outro.
“Um dia ele disse que queria namorar comigo e que iríamos casar. Na época, eu brincava e dizia que nunca casaria com ele. Mas, depois de sete anos de amizade, começamos a namorar e, em pouco mais de um ano, nos casamos e fomos morar juntos”, lembra.

O amor dos dois gerou três filhos, de cinco, seis e 14 anos. Tatiane lembra do marido como um “pai perfeito” e sempre presente na vida das crianças, mesmo nos momentos mais simples.
“Meu Tom era o marido perfeito, o pai perfeito e o companheiro perfeito. Nunca consegui encontrar uma pessoa que falasse mal dele. Ele sempre foi uma pessoa de bom coração, sempre engraçado, de bom humor e nunca se deixou abalar por nada de ruim que acontecia”, afirma.

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