Toninho Geraes. Espargido somente por quem frequenta as rodas de samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), esse nome tem sido recorrente na mídia e nas redes sociais neste término de semana.

É que o artista está processando a cantora e compositora inglesa Adele com a arguição de que a música Millian years ago (2015) – creditada a Adele e ao produtor músico e compositor norte-americano Greg Kurstin, tendo sido lançada no terceiro álbum da cantora, 25 (2015) – seria plágio da melodia do samba Mulheres (1995), formado por Toninho e apresentado em disco há 26 anos na voz de Martinho da Vila em gravação feita para o álbum Tá delícia, tá gostoso (1995).

Vinte anos separam as duas gravações. E o fato é que, por conta do processo, Toninho Geraes está pela primeira vez sob os holofotes, aos 59 anos de idade e 35 de curso fonográfica.

No mundo do samba, muitos sabem que Geraes é o parceiro de Nelson Rufino no samba Uma prova de paixão (2008), gravado por Zeca Pagodinho há 13 anos como música-título de álbum de Zeca.

E que também é o parceiro de Paulinho Rezende em Psique boêmia, samba que fez sucesso nas rodas antes mesmo de lucrar gravação do cantor Diogo Nogueira no álbum Porta-voz da alegria (2015), seis anos depois de ter sido lançado na voz do responsável no álbum Preceito (2009). Sem falar em outros sambas perpetuados em discos de sambistas do cima quilate da cantora Beth Carvalho (1946 – 2019).

Fora das rodas, porém, quase ninguém sabe que Toninho Geraes é Antônio Eustáquio Trindade Ribeiro, cantor e compositor mineiro nascido em Belo Horizonte (MG) em 14 de março de 1962.
O sobrenome artístico Geraes avalanche à origem mineira desse artista de psique carioca, residente desde 1979 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde penou para entrar nas rodas de samba até debutar no mercado fonográfico há 35 anos no elenco do álbum coletivo Na aba do pagode, editado em 1986 no rastro da explosão de sambistas como Almir Guineto (1946 – 2017) e Zeca Pagodinho.

Iniciada com a edição do álbum Chances iguais em 1987, a discografia solo de Toninho Geraes inclui outros cinco álbuns gravados em estúdio com repertório autoral. Esses álbuns – Mel e pimenta (1997), Samba de café (2001), Preceito (2009), Tudo que sou (2014) e Estação Madureira (2017), aos quais se seguiu um recente registro audiovisual de show, Tudo que sou vol. 1 – Fragmentos (2019) – nunca deram ao cantor a visibilidade obtida por Toninho Geraes como compositor a partir do estouro do samba Mulheres na voz de Martinho da Vila.

O mesmo Mulheres que ora põe o artista no centro da roda por conta do processo movido contra Adele e Cia.