Pena Branca & Xavantinho, ícones da música caipira, são celebrados em álbum dos cantadores Élcio Dias e Amorim

No mercado fonográfico a partir de sexta-feira, 28 de maio, o álbum Élcio Dias & Amorim cantam Pena Branca & Xavantinho reaviva e celebra dupla cultuada, e não somente no universo da música sertaneja tradicional.
Nenhuma outra dupla caipira foi tão reverenciada no segmento da MPB como Pena Branca & Xavantinho. Pena Branca era José Ramiro Sobrinho (1939 – 2010), paulista de Igarapava (SP). Xavantinho era Ranulfo Ramiro da Silva (1942 – 1999), mineiro de Uberlândia (MG).

Em cena como dupla desde a primeira metade dos anos 1970, quando já moravam em São Paulo (SP), os irmãos pavimentaram estrada que lhes conduziu ao sucesso a partir de 1980, ano em que a dupla de cantadores, violeiros e compositores ganhou visibilidade nacional ao defender a música Que terreiro é esse? (Xavantinho) no festival MPB-80.

A exposição no festival rendeu a Pena Branca & Xavantinho o convite para a gravação do primeiro álbum, Velha morada (1980), em das quais repertório sobressaíram as regravações de Cálix Bento (tema do folclore mineiro em adaptação de Tavinho Moura, 1976) e, sobretudo, O cio da terra (1977), parceria de Chico Buarque com Milton Nascimento.

As conexões com a MPB mantiveram Pena Branca & Xavantinho com status proeminente em nichos normalmente refratários aos sons do Brasil caipira.

Cantadores e músicos da cidade paulista de Embu das Artes (SP), o paulista Élcio Dias e o baiano (Gildécio José de) Amorim são artistas desde sempre influenciados por manifestações e gêneros musicais do folclore e da cultura popular do interior do Brasil, como congada e Folia de Reis – território pelo qual Pena Branca & Xavantinho transitavam com naturalidade.

Idealizado por Élcio Dias em 2003, 16 anos antes da formação da dupla com Amorim em 2019, o tributo a Pena Branca & Xavantinho já foi prestado em show – apresentado por Élcio em 2008 em festa da cidade de Embu das Artes (SP) – e chegou a ter o aval de Pena Branca, último remanescente da dupla forçosamente desfeita em 1999 com a morte de Xavantinho.