Para companhias aéreas, ameaças cibernéticas são o principal temor de segurança atualmente

As medidas de segurança estabelecidas em aeroportos e aviões depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York limitaram drasticamente o risco de uma ação terrorista. Hoje, porém, o que mais preocupa as companhias aéreas no quesito segurança são os potenciais ataques cibernéticos.

A blindagem das portas de acesso, o uso de equipamentos sofisticados para detecção de explosivos, o monitoramento de passageiros e o controle mais rígido dos objetos que podem ser levados dentro das aeronaves foram algumas das medidas introduzidas depois de os atentados.

Em uma nota publicada na última quarta-feira (8), o diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na {{sigla}} em inglês), Willie Walsh, afirmou que “há mais segurança” nos aviões atualmente.

Pablo Hernández, pesquisador do instituto Innaxis, especializado em aviação, acredita que a prenúncio mais tangível talvez esteja no sistema de que notícia entre pilotos e controladores aéreos, que não está encriptado. Segundo o profissional, não é muito difícil se intrometer em uma conversa com um bom equipamento de rádio.

Porém, como a segurança dos voos é prioridade na aviação, os aparelhos sensíveis estão protegidos, garante Hernández.

Por outro lado, os ataques aos sistemas “em terreno”, como os que gerenciam reservas de passagens e bagagens, se tornaram mais comuns. Em 2020, um grupo de hackers teve acesso aos dados pessoais de por volta de  9 milhões de clientes da empresa britânica EasyJet.

Somente no ano pretérito, o órgão de vigilância de tráfico leviano Eurocontrol registrou 1.260 ataques desse tipo, principalmente contra companhias aéreas, mas também contra fabricantes, aeroportos, autoridades, etc.

Para Deneen DeFiore, dirigente de segurança cibernética da companhia United Airlines, o risco mais temido é um ciberataque que “atrapalhe as operações”.
“Na aviação, não há tempo perdido”, afirmou DeFiore à AFP. Os aviões estão em permanente movimento em todo o mundo e qualquer desarranjo pode gerar um problema em cascata.

Outrossim, o risco aumenta com o uso crescente de softwares para realização de transações financeiras, gerenciamento de dados e de planejamento para o consumo de combustíveis.