Oposição venezuelana rompe três anos de boicote e anuncia participação em eleições regionais de novembro

A oposição venezuelana anunciou sua participação unificada nas eleições de prefeitos e governadores previstas em 21 de novembro, rompendo três anos de boicote e convocações à “falta de interesse” por falta de condições, informou a plataforma nesta terça-feira (31).

“Anunciamos à comunidade nacional e internacional nossa participação no processo de (eleições) regionais e municipais de 21 de novembro de 2021 pela Mesa da Unidade Democrática (MUD)”, que agrupa os principais partidos opositores, de concordância com um enviado lido em uma coletiva de mídia em Caracas.

A oposição não participou das eleições de 2018, quando o presidente Nicolás Maduro foi reeleito, nem das de 2020, quando perderam o controle do Parlamento. Nos dois casos, os opositores tacharam os pleitos de fraudulentos.

“Sabemos que essas eleições não serão nem justas, nem convencionais. A ditadura impôs graves obstáculos que colocam em risco a frase de mudança do povo venezuelano”, afirma o texto.

O pregão ocorre em um momento em que o governo de Maduro e a oposição estão no México participando de um processo de negociação que inclui, entre outros pontos, o desenvolvimento de um calendário eleitoral e o estabelecimento de condições.

“No entanto, entendemos que serão um terreno de luta útil para fortalecer a cidadania e promover a verdadeira solução para a grave crise em nosso país: eleições presidenciais e legislativas livres. Vamos nos organizar, nos mobilizar e nos fortaleceremos na unidade a serviço da reinstitucionalização democrática da Venezuela”, acrescentou a oposição no enviado.

A MUD nasceu em 2008 como uma coligação de oposição que reunia por volta de trinta organizações. Em 2012, se inscreveu como partido para se candidatar às eleições legislativas de 2015, nas quais o chavismo perdeu o Congresso pela primeira vez em 15 anos.

Allup disse que o pregão veio da plataforma política e não do chamado governo interino liderado por Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente encarregado da Venezuela, depois de ignorar a reeleição de Maduro em 2018.

Ele também lembrou que a decisão tem a “aprovação” dos Estados Unidos e da União Europeia em meio ao interesse em se chegar a uma solução para a crise política na Venezuela.
Guaidó, que insiste em que não há condições para uma eleição, não disse se participará.