Mario Vargas Llosa fala sobre insulto sexual que sofreu, quando tinha 12 anos, por um padre: 'Me afastei da religião'

O repórter peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, falou sobre quando um padre tentou abusá-lo sexualmente quando tinha 12 anos.
Em entrevista ao portal “El País” publicada nesta sexta-feira (10), ele deu detalhes sobre o incidente, que voltou a ser discutido depois de narrar sobre ele na Feira Virtual do Livro de Cajamarca, há alguns dias.

O responsável também já tinha escrito sobre o que aconteceu em seu livro “Peixe na Agua – Memorias”, de 1993.

“Quando senti suas mãos vasculhando minha braguilha, fiquei muito nervoso, saí da sala e ele também foi atacado com o mesmo nervosismo”, afirma Vargas Llosa.

“Aconteceu quando eu estava no sexto ano. No ano seguinte, o padre ficou muito envergonhado, não se atreveu a me cumprimentar nos recreios, quando eu nem estava mais na sua classe. A única consequência dessa história foi que eu, que tinha sido muito católico, comecei a perceber que não acreditava mais.”

O repórter classifica como um pequeno incidente porque foi capaz de trespassar do quarto quando percebeu o que ia ocorrer. Mas sabe que, para outras pessoas, as consequências foram traumáticas.

“A religião se tornou um tipo de coisa puramente formal, e eu tinha sido muito religioso. Mas me distanciei com isso, a religião deixou de ser um problema para mim, ao contrário de alguns colegas que eram muito obcecados com a questão religiosa. A verdade é que, no meu caso, foi um pequeno incidente”, contou.

“Todas as precauções que se tomam são necessárias. Muitos desses meninos sofrem geralmente um traumatismo que dura toda sua vida e ficam muito afetados. Me afastei da religião, mas meninos do bairro nunca se recuperaram.”

Vargas Llosa nunca contou para a família ou amigos próximos sobre o agravo.
“A Igreja deveria tomar uma atitude mais enérgica, sim. Agora a Igreja tem consciência, antes mesmo de tentar esconder essas coisas. Agora ela os assume e tem muita vergonha. Como deveria ser.”