Manobra de ajoelhar no pescoço matou George Floyd, diz médico legista no julgamento de Derek Chauvin

O médico patrão da equipe de legistas que examinou o corpo de George Floyd no ano pretérito reiterou nesta sexta-feira (9) que a pretexto da morte do ex-segurança negro foi, de fato, a manobra violenta aplicada pelo policial Derek Chauvin.

A enunciação dada pelo médico Andrew Baker é mais uma a contradizer a resguardo de Chauvin no julgamento, iniciado na semana passada. O profissional negou que problemas cardíacos ou uso de drogas por parte de Floyd tenham sido as causas diretas da morte do homem, que desencadeou uma onda de protestos contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo.
Durante uma ação policial, Floyd teve o pescoço prensado pelo joelho de Chauvin. O ex-segurança não ofereceu resistência aos agentes que justificassem a ação, reforçaram outros integrantes da força de segurança ao longo do julgamento.

Impedido, Floyd gritou várias vezes “não consigo respirar” para os três policiais que o mantiveram deitado de bruços no asfalto, com as mãos algemadas por trás, exercendo pressão sobre suas costas, pescoço e costelas.

“Na minha opinião, a imobilização policial e a compressão sobre o joelho foram mais do que Floyd poderia manter, considerando sua exigência cardíaca”, afirmou Baker.
Floyd, de 46 anos, tinha um coração maior do que o normal devido à hipertensão, afirmou Baker. “Seu coração precisava de mais oxigênio” porque suas artérias coronárias haviam se estreitado, disse ele.
O esforço físico e a dor “desencadearam os hormônios do estresse, a adrenalina fez o coração bater mais rápido para obter mais oxigênio”, mas o coração não conseguiu seguir e se rendeu, explicou.

Na terça-feira, o instrutor da polícia Johnny Mercil disse que há sim uma recomendação para os policiais pressionarem com os joelhos as costas ou os ombros para controlar um suspeito que ofereça resistência.
“Mas pedimos aos policiais que fiquem longe do pescoço quando provável”, reforçou o instrutor.
Aliás, outros depoimentos recolhidos pelos investigadores ao longo do processo e divulgados nesta terça mostram que Derek Chauvin havia passado por treinamento em 2016 sobre porquê lidar com pessoas em crises nervosas. Nesse processo, os policiais aprendem técnicas de moderar os suspeitos abordados e, segundo o instrutor Mercil, são ensinados a usar o mínimo de força e preservar a vida.

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