Khrystal se ancora no balanço ligeiro do samba que tarifa EP autoral da artista potiguar

“Meu mundo gira em si e eu sigo aqui cantando / Terraplanistas passaram brincando / Que eu nunca vi dizer que o mal impera / Daqui a bem pouco, esse zum zum zum já era”, aposta Kkrystal, tomando partido enquanto cai com macieza no suingue de Já é (Roberto Taufic e Khrystal).

Sambalanço inédito que abre o EP autoral Khrystal, lançado por essa cantora e compositora potiguar na sexta-feira, 7 de maio, em edição independente distribuída via Tratore, Já é poderia ter ganhado a voz de Elza Soares se tivesse sido composto nos anos 1960.

Khrystal, a propósito, foi uma das sete atrizes cantoras que entraram na pele de Elza em recente musical sobre a cantora carioca.

A atuação no musical Elza (2018) e a participação na edição de 2013 do programa The Voice Brasil (TV Globo) foram os trabalhos que deram mais projeção a Khrystal fora da cena do Rio Grande do Norte, estado onde a cantora é muito conhecida, tendo pavimentado carreira que já inclui quatro álbuns.

Produzido pelo baixista Paulo de Oliveira e pelo guitarrista e violonista Roberto Taufic (parceiro da artista na elaboração do citado samba Já é ), o EP Khrystal encadeia gravações de quatro músicas assinadas pela artista com diferentes parceiros.

Na sequência de Já é, o disco põe em rotação o samba Ancorado em si (Leonardo Costa e Khrystal) em gravação de eventuais contornos jazzísticos.

Ode ao poder e ao lugar de fala com versos como “Viva a voz / Que passa pelo fio da palavra / Sai pela escrita / Sobe pela escala”, Viva a voz – elaboração de Khrystal em parceria com Valéria Oliveira – também se ancora no balanço brasileiro do samba que flerta com o jazz.

A faixa fecha o disco, no qual Khrystal também dá voz ao romantismo da canção Amor de cinema, parceria da artista com Simone Talma. A letra dessa música Viva a voz – pontuada na gravação pelo toque suave da guitarra de Roberto Taufic – fala em “balanço leve”, matéria-prima do EP Khrystal.