Justiça determina o isolamento de Sydnei Pereira da Prefeitura de Anajatuba

A Justiça determinou o isolamento do atual prefeito Sydnei Pereira (PCdoB) em Anajatuba, a 137 km de São Luís. Ele é suspeito em diversos processos por desvios de numerário público que são alvos de investigações federais.
Na decisão, o juiz Bruno Chaves de Oliveira afirma que há evidências de simulação, favorecimento e até mesmo a falta de formalidade lícito em contratos da prefeitura.
O juiz cita ainda um relatório da Controladoria Universal da União (CGU) que aponta superfaturamento de itens que estavam em contratos, mas não foram entregues para a prefeitura. O relatório indica também:
Pesquisa de preços fictícia
Falta de notas fiscais
Fornecimento de veículos que não estavam autorizados a prestarem serviço na espaço da saúde
Combustível com preços superiores aos de mercado
Compra de combustível sem provar a sua destinação
Contratação de empresas fornecedoras sem a necessária qualificação técnica
Mudança da quantidade de veículos de transporte de pacientes (24 veículos supostamente foram utilizados para o transporte de pacientes para São Luís/MA, porém os pacientes só eram transportados em uma Van)
Escassez de indicação da placa dos veículos supostamente abastecidos
Motocicletas abastecidas com quantidade de litros supra da capacidade do tanque
Notas fiscais sem a placa do veículo robusto e sem assinatura do condutor
Utilização de posto de combustível não contratado para o fornecimento da frota municipal
Atestado de capacidade técnica com fortes indícios de texto falso
Pagamento indevido a fornecedor por materiais de construção não comprovadamente entregues ou efetivamente utilizados em ações de saúde
Contratação de empresas sem capacidade operacional
Contratos simulados de locação de veículos
Despesas de manutenção dos veículos por conta de seus proprietários
Escassez de identificação do beneficiário final das despesas
Em outro momento, o magistrado explica a principal motivação para o isolamento do atual prefeito.
Segundo Bruno Chaves, há ‘risco sério e concreto’ de que Sydnei Pereira e sua gestão ainda possam, nesses últimos dias do seu procuração, destruir o que ainda restou nos arquivos públicos do município, porquê documentos dos procedimentos licitatórios e contratações que fazem segmento das investigações contra ele.
Em 2018, o Ministério Público do Maranhão já havia pedido o isolamento do prefeito de Anajatuba. Na quadra, o promotor Carlos Augusto Soares afirmou:
“Há um número muito grande de notícias de irregularidades sendo investigados. O que se observa é que o gestor está utilizando de artifícios para impedir a elucidação desses casos e o isolamento dele é necessário”, declarou Carlos Augusto Soares, Promotor de Justiça de Anajatuba.
Investigações federais sobre supostos desvios de numerário público em Anajatuba são destaque no Bom Dia Brasil
Sidney Pereira e Helder Aragão
Em 2015, Sidney Pereira denunciou por prevaricação o portanto prefeito do qual ele era vice, Helder Aragão. O prefeito foi distante e ele assumiu a Prefeitura. Sydnei foi reeleito em 2016 e passou a enfrentar denúncias até da Câmara Municipal, onde um vereador do mesmo partido chegou a entrar com oito representações em órgãos de fiscalização. O caso foi destaque no Bom Dia Brasil.
“O que mais me deixa triste é que o gestor atual anda fazendo as mesmas coisas que o outro estava fazendo”, contou Lauro Sousa, vereador do PCdoB.
Nas eleições de 2020, Helder Aragão venceu e vai assumir a prefeitura a partir de janeiro de 2021.
Mesmo sendo do mesmo partido, o vereador Lauro Sousa já entrou com oito representações contra o prefeito de Anajatuba

Investigações
Constam nas investigações, o fechamento de escolas por falta de numerário e milhões de reais gastos em licitações suspeitas. No campo da instrução, a Prefeitura de Anajatuba cortou o transporte escolar em alguns povoados por desculpa da situação das estradas.

A atual gestão também chegou a fechar 21 escolas, de tratado com o Sindicato dos Professores. Antes haviam 55 escolas na cidade. Em 2018, a prefeitura justificou o fechamento pela falta de recurso para manter os professores.

Malharia ‘ Maria dos Milagres’
Os contratos com uma malharia de São Luís também são branco de investigação. Entre 2016 e 2017, a malharia Maria dos Milagres Sousa Moreira Aquinho vendeu R$ 410 mil à Prefeitura de Anajatuba em artigos esportivos e brinquedos. Só em 2017 foram R$ 321 mil pagos à malharia, segundo o Tribunal de Contas do Estado.
No ano pretérito foram pagos R$ 321mil à malharia ‘Maria dos Milagres’, segundo o TCE, em artigos esportivos e brinquedos..
Reprodução/Portal Web Rádio Xis
Entre os itens vendidos estão bolas, chuteiras, redes de vôlei, 30 pares de rede solene de campo de futebol. Mas o principal campo da cidade não tinha trave e estava enroupado pelo mato. Nos povoados do interno as pessoas disseram que nunca viram artigos de esporte.
Em nota, a malharia ‘Maria dos Milagres’ disse que participou da licitação com seriedade e responsabilidade e que está à disposição da Justiça para prestar qualquer explicação.
Brunopel
Outros pagamentos que chamaram a atenção foram os recebidos pela autopeças Brunopel, que recebeu R$ 455 mil com vendas de peças para carros de Anajatuba em 2016. Em 2017, a autopeças também recebeu R$ 8,4 milhões do município de Anajatuba em peças e locação de veículos. Na cidade, órgãos públicos porquê o Recomendação Tutelar reclamavam que não tinham carruagem pra trabalhar.
“A gente solicita às vezes o suporte da polícia quando é emergência e quando não a gente está esperando a solução para continuar com o nosso trabalho”, contou Telmo Lopes, coordenador-geral do Recomendação Tutelar da cidade de Anajatuba.
Autopeças Brunopel recebeu R$ 8,4 milhões de Anajatuba em peças e locação de veículos, segundo o TCE
Reprodução/Portal Web Rádio Xis
Entre os sócios da Brunopel está uma mulher descrita porquê Rosalina Pereira Silva, que é ex-mulher de um doador de campanha de Sydnei Pereira chamado Cosme Pereira de Souza, que doou R$ 2.500 na campanha. Ela foi procurada pela reportagem, mas não se conseguiu contato.
Cosme também é tio da portanto secretária de governo do município, Pollyana Lisboa. Ela negou ligações da família dela com o prefeito.
“Não temos nenhuma relação com o Prefeito, a não ser a empresa que concorreu, ganhou e nem faz segmento mais da Prefeitura”, disse a secretária de governo de Anajatuba, Pollyana Lisboa.
Cosme Pereira também era possessor de um carruagem de luxo estimado em mais de 120 mil reais, que o prefeito da cidade usava no dia-a-dia. O prefeito diz que o carruagem que ele usava era alugado e Cosme Pereira não foi encontrado.
“Ele tinha o contrato de locação de veículo. Portanto ele me alugou esse carruagem para o gabinete. Aí quando ele perdeu o contrato, a empresa que ganhou o contrato comprou o carruagem dele e permaneceu o aluguel. Ele continua sendo alugado o carruagem”, respondeu o prefeito Sydnei Pereira.
Apesar do que consta no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Sydnei Pereira negou que Cosme tenha sido doador de campanha e diz que contratou a sobrinha de Cosme porquê secretária por desculpa da conhecimento dela.
“Essa moça eu conheci ela na empresa dele com relação ao processo que eles tinham com a gente de fornecimento e ela se mostrou, à epoca, muito eficiente”, afirmou o Prefeito.
Consulta no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) indica que um homem chamado Cosme Pereira foi doador de campanha de Sydnei Pereira

O prefeito diz ainda que não pagou os oito milhões à autopeças em 2017, apesar dos valores constarem na prestação de contas do município, junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) porquê pagos.
“Não tem nem porquê uma prefeitura no porte de Anajatuba remunerar nem a metade disso aí”, afirmou o prefeito.
Procurador Jairo Cavalcanti explicou que é considerado pagamento quando um documento chega ao TCE e há comprovação de transferência bancária, porquê um dos exemplos.
Reprodução/Portal Web Rádio Xis
Entretanto, o procurador de contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jairo Cavalcanti, explicou porquê funcionam a comprovação de pagamentos e diz que o valor foi realmente pago.
“Quando o documento chega cá sendo comprovado que houve transferência bancária…. um recibo ou um cheque em obséquio do credor… nós consideramos que esse valor foi efetivamente pago”, asseverou o procurador.

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