Jimi Light cruza o mar profundo do luto em travessia feita com Rubel ao encerramento de álbum autoral de folk

Na capa do primeiro álbum solo de Jimi Light, The season of magical thinking, o oceano é visto através da moldura de janela de água. Criada pelo designer Bruno Galliez a partir de foto de Fernando Lemos, a capa dá o tom de disco em que Jimi Light se encontra imerso no mar profundo do luto por perdas afetivas.

A travessia é feita através das 12 músicas que compõem o repertório quase inteiramente em inglês do disco autoral inspirado pelo folk britânico e lançado em 16 de abril pelo selo 8-Bics.
Ao término da rota marítima, Rubel dá voz aos únicos versos em português do álbum, como convidado da faixa The void, the sea, música em que Jimi Light reflete sobre a morte com certa dose de ceticismo sobre a existência de vida além do plano corpóreo.

Jimi Light é apresentado como o “alter ego folk” de Sérgio Luz. Ex-integrante da banda Academia Circense e guitarrista do power trio The Magical Lovers, Luz ganha o pão como jornalista cultural e, ao se transmutar em Jimi Light, recorre ao sobrenome que tinha na juventude para batizar a persona artística.

Inspirado pelo cancioneiro de compositores como Nick Drake (1948 – 1974), Jimi apresenta no álbum The season of magical thinking – dos quais título alude ao nome do livro The year of magical thinking (2005), da escritora norte-americana Joan Didion – um compilado de temas compostos ao longo dos últimos dez anos.
A perda do irmão de Luz foi o motor que alavancou a criação de canções como Sweet brother, mas, no círculo temático do disco, o luto também é abordado sobre o prisma do encerramento de relacionamentos afetivos, matéria de músicas como Old lovers, Safe harbor e The streets of Copacabana, balada composta com a intenção de repetir o palavreado pop de Paul McCartney e o toque da guitarra de George Harrison (1943 – 2001).

Entre temas instrumentais como Badal e Sants, Jimi Light incursiona pelo folk-rock à tendência dos anos 1960 em Until spring, música gravada com a adesão da cantora Maranda e do jornalista e músico Silvio Essinger no toque de órgão e sintetizador.
Pontuado por inspirações literárias, o repertório do álbum The season of magical thinking é assinado solitariamente por Jimi Light em submersão por universo existencial pautado pela dor da perda.