Índia registra novo recorde mundial com mais de 400 mil casos de Covid em 24 horas

A Índia ultrapassou 400 mil novos casos de coronavírus em 24 horas neste sábado (1º), um novo recorde global. O país é o primeiro a chegar a esse número de infecções em um dia durante a pandemia.
De concordância com o Ministério da Saúde, foram registrados 401.993 novos casos nas últimas 24 horas, elevando o número total de infectados no país a 19,1 milhões.
O Ministério da Saúde também informou que 3.523 morreram por razão da Covid. O país tem agora 211.853 óbitos pela doença.

Recordes consecutivos
A Índia havia registrado, na sexta-feira (30), o oitavo recorde mundial de casos confirmados de Covid-19 nos últimos nove dias, segundo dados do governo e do “Our World in Data”. Foram 386.452 infectados e 3.498 mortes em 24 horas.
Com mais de 2,5 milhões casos e 21 mil mortes nos últimos sete dias, o país foi responsável por 43% de todos os novos infectados e 23% de todos as óbitos do planeta no período.
Em meio à segunda onda na Índia, o mundo superou os 150 milhões de casos confirmados, apontam dados da Universidade Johns Hopkins e do “Our World in Data”, projeto ligado à Universidade de Oxford.
O segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, passa por um colapso em seu sistema de saúde e funerário, sofre com uma vacinação ainda lenta e o governo tem sido criticado pelo combate à pandemia.

Caos nos hospitais
Hospitais estão sem remédios e oxigênio, e parentes são obrigados a comprar os cilindros para os internados. Sem leitos, doentes aguardam em ambulâncias, em carros particulares e até na rua por uma vaga.
Os preços dos insumos dispararam no mercado paralelo, e atravessadores vendem oxigênio até na porta dos hospitais. Desesperados, muitos compram remédios de proveniência duvidosa e suprimentos a preços exorbitantes. Também há diversos relatos de golpes.
“Não achamos oxigênio”, relata Mukesh Kashyap, que havia concluído de incinerar sua esposa de 38 anos. “Fomos aos maiores hospitais particulares da cidade e finalmente um pequeno hospital me fez remunerar € 55 por uma hora de oxigênio [mais de R$ 350]”.
Arrasado, Kashyap afirmou que ela melhorava com o oxigênio. “Mas depois os sintomas voltaram. Tentamos encontrar um leito, mas ela não resistiu. Os médicos não puderam salvá-la”.

Crematórios no limite
Crematórios e cemitérios não conseguem atender à quantidade de corpos, e funerais em massa têm sido realizados em diversas cidades. As cerimônias feitas sob o protocolo da Covid-19 são muito superiores aos dados do governo.
Em Nova Délhi, o número de cremações aumentou cinco vezes. A prefeitura da capital está tentando aumentar a capacidade dos locais construindo incineradores até na grama, do lado de fora dos estabelecimentos.
Com o sistema de saúde em colapso, muitos infectados morrem em casa e não entram para a estatística oficial.