Madonna já mostrou às filhas o batidão explosivo de MC Kevinho e já convidou Anitta para gravar funk no último álbum da artista norte-americana, Madame X (2019).

O rapper canadense Drake já contatou Kevin O Chris para gravar remix de música do funkeiro fluminense, Ela é do tipo (2019), arriscando até versos em português. Desde 2019, Ludmilla já tem engatilhada colaboração com Cardi B, entre outras conexões internacionais.

Enfim, o reconhecimento do funk do Brasil pela Academia Latina de Gravação – instituição promotora do Grammy Latino – já chega tarde, com pelo menos dois anos de atraso, e sem força para fazer alguma coisa de relevante para gênero já propagado em escala mundial.

Anunciada no domingo, 18 de julho, e celebrada nas redes sociais por estrelas identificadas com o batidão, a inclusão do funk nacional na categoria Música urbana – balaio de ritmos do Grammy Latino em que também são jogados gêneros como rap, reggaeton, R&B e trap – a rigor em nada altera o status do funk do Brasil e dos artistas a ele associados.

Sim, é provável que essa inclusão gere eventuais indicações para Anitta, Ludmilla e Cia. a partir da 22ª edição do Grammy Latino. Mas e daí? O prêmio em si sempre resultou insignificante no mercado brasileiro, pois é moldado para priorizar a música produzida em língua espanhola (não por casualidade, existem categorias específicas para a produção fonográfica do Brasil desde a primeira edição do Grammy Latino).

Anitta, por exemplo, somente terá real mudança de status se ganhar uma indicação para o Grammy geral de 2022 com o single Girl from Rio (2021).

O fato é que o funk nacional já foi muito além do Brasil sem precisar do Grammy Latino para cruzar fronteiras. O atual reconhecimento do gênero pela Academia Latina de Gravação sinaliza tão somente que o Grammy Latino corre atrás do tempo para não perder o bonde da história.