Grupo de voluntários visita casas para tentar diminuir evasão escolar em Várzea Paulista

A pandemia trouxe mudanças para diversos cenários, incluindo o escolar. Em Várzea Paulista (SP), a média de alunos que deixou de fazer as atividades da escola em residência chegou a 70%. Para tentar diminuir esta porcentagem, voluntários de um grupo visitam crianças da cidade para trazê-las de volta para a escola.

Segundo a prefeitura, desde o início ad pandemia, uma média de dois a quatro alunos abandonaram as aulas em cada escola do município. A escola Anísio Teixeira possui 450 alunos matriculados no ensino fundamental I. Em 2021, oito abandonaram as aulas.

O diretor da escola, Fabiano Falasco, conta que, antes da pandemia, não existia evasão escolar no lugar. “Eu acredito que esses números aumentaram por conta da pandemia, realmente”, diz.

Foi logo que o trabalho do Instituto Bem Maior começou, implementando o projeto “Volta pra escola”, com voluntários que vão de casa em casa atrás desses alunos. O estudante Adrian, de somente sete anos, é uma das crianças encontradas pelo projeto. Ele estava com as atividades atrasadas.

A mãe de Adrian, Maria Matos, conta que estava viajando e que tem o dia corrido, pois tem uma bebê para cuidar. As voluntárias atualizaram o número de telefone dela e as atividades do menino, que estavam atrasadas. Maria, que não esperava a visita, ficou feliz com a preocupação.

“Achei muito bom. Achei importante para a escola estar acompanhando as crianças e realmente se interessando e indo atrás para poder ver”, diz.
Voluntários tentam reduzir evasão escolar em Várzea Paulista durante pandemia
O aluno Pedro Davi, também de sete anos, ficou duas semanas sumido da escola. As voluntárias também foram até a residência dele. A professora Elizangela Leal explica que a mãe havia perdido o contato com a escola do filho, porque havia mudado de número e tinha ficado 15 dias internada com problema de saúde.

“A gente veio aqui, conversou com ela, mostrando a relevância de manter o contato com a escola. Ouvimos toda a situação que ela tinha passado e a premência dela também”, conta.

Depois da visita dos voluntários, Vanessa Silva, mãe do Davi, procurou a escola e agora o filho está com as atividades em dia. “Fui lá, atualizei o endereço, o número, peguei as atividades. Agora está tudo normal”, diz.
O coordenador regional do projeto, Marcus Uchôa, explica que a lista dos alunos ausentes ou com contato interrompido é enviada pelo diretor da escola e, assim, o trabalho dos voluntários começa.
“Distribuímos os nossos voluntários nessa lista e eles vão para fazer essas visitas de concordância com a orientação do diretor para entender a urgência que a escola pede”, diz.

Só neste ano, o instituto recebeu 160 pedidos de procura a alunos que desapareceram das escolas em Várzea Paulista. Depois das visitas, uma média de 70% dos alunos voltaram às atividades, de concordância com o instituto.

“A gente sabe que existe uma dificuldade e é muito bom sabermos que, de alguma maneira, nós podemos tranquilizar a dificuldade da escola, da rede de ensino, porque são os nossos futuros profissionais que estão hoje sendo assistidos nesse projeto”, diz Marcus.