Câmeras registram acasalamento de par de harpias no sul da BA: ‘Primeira vez que temos registro na mata atlântica’

Pesquisadores captaram o registro inédito do acasalamento de um par de harpias, espécie de ave vulnerável à extinção. O registro aconteceu em março, em um ninho no topo de uma árvore na suplente de mata atlântica Estação Veracel, que fica nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia.
O acasalamento foi registrado por câmeras instaladas em um ninho, há mais de 40 metros de altura, monitorado na Estação Veracel, em parceria com o núcleo do Projeto Harpia na Mata Atlântica. A reserva tem por volta de de 6.000 hectares de mata atlântica e dois ninhos de harpia são monitorados desde 2018 pelo projeto.
“Nós deixamos as câmeras filmando por tempo integral e vimos essa movimentação. Ela [fêmea] começa no cortejo, trazendo carinho, e logo conseguimos flagrar essa cópula nas alturas”, relata a coordenadora de estratégia ambiental e gestão integrada da Veracel Celulose, Virgínia Londe de Camargos.
O coordenador do projeto e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Aureo Banhos, conta que o registro aconteceu depois diversas imagens serem gravadas no ninho e que o momento foi uma surpresa para a equipe.
“São muitas imagens que temos que produzir para a gente conseguir, de fato, chegar no momento que a gente tem registro dos indivíduos no ninho. Nesse monitoramento, colocamos a câmera para monitorar 24 horas. E para nossa surpresa, essas imagens, sequência de vários dias, nos trouxe a felicidade de considerar. É a primeira vez que temos registro na mata atlântica, logo estamos documentando todo esse momento”, conta.
De concordância com a coordenadora Virgínia, o registro da cópula sugere que um novo filhote de harpia está a caminho. A fêmea da espécie, que aparece no registro, também foi filmada em 2018.
“E o nosso maior presente! Espero que tenhamos um novo filhote chegando. A harpia, normalmente, pode botar até dois ovos, mas ela só choca um, que é o primogênito. Agora, em por volta de  50 a 60 dias, a gente deve ter sinal de qualquer ovo. Esses ninhos continuam sendo monitorados”, disse.

A harpia, conhecida também como gavião-real, é considerada a maior ave de rapina das Américas, e está no topo da cadeia alimentar. A ave é monogâmica, e o par prefere usar o mesmo ninho para a reprodução. A fêmea da espécie chega a pesar 7 quilos e ter 2 metros de envergadura.
Apesar disso, a harpia está classificada como vulnerável à extinção no país e considerada rara na mata atlântica. A espécie está classificada também como criticamente em risco à extinção na Bahia.
“Poucas florestas permaneceram com a qualidade que a harpia exige, e uma dessas poucas florestas estão no corredor médio da mata atlântica, essas florestas da Costa do Descobrimento, no sul da Bahia, até o norte do Espírito Santo”, esclarece Aureo.
Os pesquisadores vão seguir o processo de reprodução, muito porquê o nascimento do filhote por até três anos.

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