Equador e Peru: o que esperar das eleições de domingo em dois países devastados pela pandemia

Neste domingo (11), os eleitores do Equador e do Peru irão às urnas para escolher seus presidentes em meio a um conjunto de crises que foram intensificadas durante a pandemia do coronavírus.
A exemplo do que ocorre em outros países da América Latina, nos dois países andinos a possante queda na economia agravou a situação de pobreza e de exclusão social e evidenciou a precariedade dos sistemas de saúde.
O quadro contribuiu para a indiferença e a indefinição do eleitorado. As cenas dramáticas de pessoas morrendo nas ruas da equatoriana Guayaquil e as intermináveis filas para a compra de tubos de oxigênio no mercado paralelo na capital peruana, Lima, no ano pretérito, ainda estão na memória e entre os temores dos habitantes dos dois países — que também ainda enfrentam registros altos de Covid-19.
Nos últimos dias, as filas continuavam, porém, menores que antes. “Os que podem compram os tubos por sobreaviso e os deixam em moradia. Quando qualquer familiar sofre a doença, chamam um médico privado para controlar as medições do tubo e assim se evita ter que ir a um hospital onde a situação é caótica”, conta um economista peruano residente em Lima.
Muita gente ainda não sabe se vai votar e só decidirá na última hora por temor a ser infectado. O voto é obrigatório, mas a multa em torno de 88 soles (murado de US$ 20) é avaliada porquê opção pelos que podem pagá-la.

O crítico político Alfredo Torres, presidente executivo da Ipsos-Peru, disse à BBC News Brasil que a situação da pandemia “gerou muita irritação” na população com o sistema de saúde “que não funciona” e a falta de vacinas. E a situação, afirma Torres, se reflete na “fragmentação histórica” prevista para a eleição deste domingo.
Para completar, o Equador já está em seu quinto ministro da Saúde desde o início da pandemia e, no Peru, um escândalo de “fura-filas” de vacina contra a Covid-19 provocou, em fevereiro, a saída dos ministros da Saúde e das Relações Exteriores do governo de Francisco Sagasti — quarto sucessor a assumir a Presidência desde a queda do presidente Pedro Pablo Kuczynski, PPK, e depois do vice-presidente, Martín Vizcarra e do presidente do Congresso da República Manuel Merino.
O desgaste político dos líderes atuais no Equador e no Peru é outro fator desta eleição, porquê observaram analistas e observadores ouvidos pela BBC News Brasil.
“O presidente (equatoriano) Lenín Moreno gerou suspicácia dos setores ligados ao ex-presidente Rafael Correa quando rompeu a relação com ele. Mas a decisão de Moreno de romper com Correa também acabou gerando suspicácia em relação a ele nas outras forças políticas. Ele é hoje o presidente menos popular desde a volta da democracia em 1979”, disse o pesquisador político Simón Pachano, professor da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) do Equador.
Pachano acrescentou que não está simples quem poderá ser o vencedor do pleito desde domingo. “As pessoas já estavam desanimadas com a economia e o desempenho de Lenín Moreno, e a pandemia somou mais desânimo aos eleitores”, disse.
Será neste envolvente político que os equatorianos votarão no segundo vez entre candidatos que são vistos porquê extremos opostos em função de suas trajetórias e das propostas que apresentaram durante a campanha eleitoral.
Os presidenciáveis Andrés Arauz, que se define de esquerda, é da Fuerza Compromiso Social (Força Compromisso Social) e foi ministro no governo Correa. O empresário Guillermo Lasso, conservador, é contrário a iniciativas porquê o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo e na reta final da campanha disse, porém, que governaria para todos, porquê observou Pachano.
Arauz é o candidato do ex-presidente Correa, o qual governou o Equador durante dez anos, entre 2007 e 2017, e hoje mora na Bélgica (em exílio, nas palavras de opositores, já que foi réprobo a oito anos de prisão por denúncias de depravação em seu país). No primeiro vez da eleição, em fevereiro, Arauz, 36, foi o mais votado, com 32,7%. Lasso recebeu 19,74% dos votos com uma ligeiro diferença para o terceiro candidato, Yaku Pérez, do movimento indígena Pachakutik, posteriormente uma apuração que durou vários dias.
Das pesquisas divulgadas antes da eleição, cinco apontavam Arauz porquê vencedor e quatro indicavam que seria Lasso.
Com uma população de murado de 17,3 milhões de habitantes e aproximadamente 13 milhões de eleitores, o Equador registra 32% de pobres, segundo dados oficiais. O país onde a moeda é o dólar registrou queda de 7,5% da sua economia em 2020, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para levante ano, o organização prevê que o país registrará recuperação de somente 2,5%, segundo publicou o portal El Comercio, de Quito. A situação econômica, incluindo a manutenção ou não do dólar, e o provável retorno de Correa ao país, caso Arauz seja eleito, fizeram parte das discussões políticas na reta final da campanha, em que os candidatos apareceram quase todo o tempo usando máscaras porquê prevenção contra o coronavírus.

Fragmentação e ‘Bolsonaro peruano’
No vizinho Peru, a fragmentação política é tal que a disputa neste primeiro vez inclui uma lista de 18 candidatos presidenciais.
Nos dois casos, existe cautela entre os analistas sobre o resultado, apesar de, no Peru, a expectativa ser de realização do segundo vez no dia seis de junho.

“Cá todos parecem opositores e o candidato governista (Julio Guzmán) aparece com poucas chances”, disse um observador dos bastidores da política sítio.
Dos 18 candidatos, 6 deles teriam a chance de chegar ao segundo vez — entre eles a filha do ex-presidente Alberto Fujimori e ex-candidata presidencial Keiko Fujimori que disputa a corrida pela terceira vez.

Na campanha anterior, ela evitava a figura do pai, recluso. Nesta, a candidata mostra aproximação com o político que governou o país durante dez anos entre 1990 e 2000. Ela passou a tutorar “la mano dura” (mão dura) contra a criminalidade, despertando escora de antigos e novos eleitores fujimoristas, de combinação com observadores locais.
Entre os outros candidatos que se destacaram nos últimos dias estão Pedro Castillo, da esquerda Peru Libre, Verónila Mendoza, da esquerda Juntos por el Perú, Hernando de Soto, de direita, do Avanza País, Yonhy Lescano, da tradicional Acción Popular, e e o milionário e ultraconservador Rafael López Aliaga, da Renovación Popular.
No contexto político e na imprensa local, López Aliaga é chamado de “Bolsonaro peruano” pelo discurso ofensivo, por ter construído sua base com escora de religiosos e por não tutorar, por exemplo, o uso de máscara contra a covid. “O Bolsonaro do Peru que disputa a eleição”, replicou o portal Página 12, de Buenos Aires, a partir da prensa peruana.
“Esta é a eleição mais fragmentada da nossa história e, ao mesmo tempo, muito polarizada entre os extremos de direita e de esquerda. Os de centro não conseguiram escora”, disse Torres.
“Com mais de 30% de indecisos ou que já declararam que votarão em branco ou nulo qualquer resultado é esperado para levante domingo. A única certeza que temos é que haverá segundo vez”, diz o professor Carlos Aquino, da Universidade Pátrio Mayor de San Marco (UNMSM), de Lima.
A volatilidade da intenção de votos dos eleitores peruanos já colocou Lescano adiante com somente 10% das intenções de votos e diferenças mínimas para os demais candidatos na pesquisa realizada pela Ipsos para o portal El Comercio, de Lima, publicada no dia quatro de abril. Mas horas antes da votação, o quadro parecia dissemelhante e analistas não descartavam que os vencedores deste primeiro vez seriam — “os extremos opostos — Keiko e Castillo.
Nos debates, além da pandemia e da economia, surgiram temas ligados ao Brasil, porquê os escândalos envolvendo empreiteiras brasileiras porquê a Odebrecht, que estiveram ligados às prisões de três presidentes e ao suicídio do ex-presidente Alan García.
País com pouco mais de 32 milhões de habitantes e quase 25 milhões de eleitores, o Peru mostrou na pandemia que seu desempenho macroeconômico, com segurança e propagação estável nos últimos anos e que era indigitado porquê um dos modelos da região, não foi transferido para o bem-estar da população, apesar da possante queda na pobreza que tinha registrado recentemente, segundo analistas locais.

A pobreza havia derrubado drasticamente na dez passada, mas, com murado de 74% dos trabalhadores na economia informal, e hospitais despreparados e carentes de leitos e oxigênio para seus pacientes, o Peru foi palco de algumas das cenas globais mais dramáticas de colapso na saúde nos primeiros meses da pandemia.
Apesar do fechamento de fronteiras para tentar evitar a ampliação da chegada do vírus ao país, os trabalhadores continuaram saindo para trabalhar — “porque não têm outra opção já que a informalidade é dominante no país”, disse o professor Carlos Aquino, da Universidade Nacional Mayor de San Marco (UNMSM), de Lima.
Segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), a economia peruana encolheu quase 13% em 2020, mas deve registrar possante recuperação de aproximadamente 9% em 2021. No entanto, 7 de cada 10 peruanos são considerados hoje pobres ou podem entrar na pobreza diante da sua frágil situação econômica, segundo publicou o diário Gestión, de Lima.
Neste domingo (11), além de votar para presidente, os peruanos votam para escolher os congressistas do Parlamento, que é unicameral. A expectativa é de fragmentação também na moradia.

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