Apresentada ao Brasil em 1975, a obra personalíssima de Djavan tem sido (muito) absorvida no universo do jazz desde os anos 1980 – em privativo no mercado norte-americano. Nenhuma surpresa há nessa assimilação quando se sabe que essa obra harmonicamente sofisticada foi construída com influências do jazz e do blues.

Em testemunho gravado para a quinta edição do Prêmio do Compositor Brasílico, do qual é homenageado pela União Brasileira de Compositores (UBC) neste ano de 2021, o cantor, compositor e músico alagoano confirma as referências seminais destes dois gêneros musicais norte-americanos e aponta a diva do jazz Ella Fitzgerald (1917 – 1996) como uma das três cantoras que formam a base do quina do artista.

As outras duas são as brasileiras Angela Maria (1929 – 2018) e Dalva de Oliveira (1917 – 1972), cantoras que viveram o auge da curso ao longo dos anos 1950, dez áurea da era do rádio.

Com a termo, Djavan: “Minha aproximação com o jazz e o blues se deu ainda garoto, quando conheci Ella Fitzgerald, Miles Davis, Charlie Parker, Aretha Franklin e Sarah Vaughan. Quando comecei a ouvir essa música, me senti muito identificado, é como se aquilo também fosse minha origem. É evidente que jazz e blues estão no Nordeste. Não tive dificuldade de assimilar, aquilo já estava em mim. Ella Fitzgerald, junto das nossas Dalva de Oliveira e Angela Maria, são as três mulheres que formam a base do meu quina”, lista o compositor na fala que será ouvida na cerimônia do quinto Prêmio UBC, programada para as 19h desta quinta-feira, 7 de outubro, com transmissão online pelo meato da UBC no YouTube.

Eis as músicas do compositor que coube a cada um dos novos nomes que se apresentam no quinto Prêmio UBC :

1. Agnes Nunes – Um paixão puro (1999)
2. Anavitória – Açaí (1981)
3. Criolo – Oceano (1989)
4. Diogo Nogueira – Flor de lis (1976)
5. Geraldo Azevedo – Retrato da vida (Djavan e Dominguinhos, 1998)
6. Giulia Be – Eu te devoro (1998)
7. Jonathan Ferr – Pétala (1982)
8. Liniker – Mal de mim (1989)
9. Mart’nália – Topázio (1984)