As flores do jardim da residência de Roberto Carlos estão tristes, inconsoláveis. Nascido com glaucoma congênito, doença que o levou à perda progressiva da visão ao longo da vida, tendo ficado irreversivelmente cego em 1994, Roberto Carlos Braga II (14 de dezembro de 1968 – 8 de setembro de 2021) morreu na tarde desta quarta-feira, aos 52 anos, na cidade de São Paulo (SP), vítima de cancro no peritônio.

Fruto de Roberto Carlos com Cleonice Rossi (1939 – 1990), Segundinho – como também era chamado – era publicado no meio artístico como Dudu Braga, tendo trazido para a vida adulta o sobrenome que ganhara ainda na puerícia por viver cantando música do repertório do cantor Eduardo Araújo.

Foi como Dudu Braga que o artista carioca atuou na música como baterista, produtor músico, proprietário de gravadora e radialista.

O artista era o baterista da filarmónica RC na Veia, grupo de pulso roqueiro que, além de Dudu, foi criado em 2014 com Alex Capella (voz), Fernando Miyata (guitarra) e Juninho Chrispim (grave) na formação.

Em 2018, RC na Veia lançou CD e DVD com registro audiovisual de show captado em outubro de 2017 em apresentação feita pela filarmónica na cidade de São Paulo (SP), com a participação de Roberto Carlos na regravação de Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e no número coletivo É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968).

Parceiro extraoficial do pai na geração da música Leito e mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981), por ter contribuído com os versos “Todo homem que sabe o que quer / Sabe dar e querer da mulher”, Dudu Braga teve atuação longa como radialista, tendo apresentado por quase 20 anos o programa As canções que você fez pra mim, com músicas e histórias de Roberto Carlos.

Uma dessa histórias é que uma das músicas mais belas e tristes músicas do cancioneiro de Roberto, As flores do jardim da nossa residência, foi composta em 1969 com inspiração no fato de o fruto do cantor ter sido levado ainda bebê para a Holanda, no início daquele ano de 1969, para tentar um tratamento – na época experimental – contra o glaucoma congênito.

A deficiência visual não tirou Dudu Braga de cena. Tanto que foi depois de perder a visão, aos 24 anos, que o artista abriu gravadora, se tornou radialista e virou músico, tocando bateria na filarmónica RC na Veia, sempre com orgulho assumido de ser fruto de Roberto Carlos Braga, o primeiro.