O início ano de 2022 marca os centenários de nascimento de duas memoráveis cantoras da era do rádio. Nascidas há 100 anos, as paulistanas Dirce Grandino de Oliveira (7 de abril de 1922 – 18 de junho de 1999) e Victoria Bonaiutti de Martino (22 de novembro de 1922 – 13 de junho de 2014) merecem ser elogiadas ao longo do ano novo pelas contribuições à cultura brasileira em trajetórias que transcenderam o universo da música.

Uma das primeiras cantoras populares do Brasil, tendo entrado em cena ainda menina, no raiar dos anos 1930, Dirce passou para a história com o nome artístico de Dircinha Batista, tendo sido irmã de Linda Batista (1919 – 1988), outra cantora que brilhou na era do rádio.

Com carreira fulgurante no rádio, no disco e no cinema, Dircinha atingiu o ápice da popularidade nas décadas de 1940 e 1950 tendo sido eleita Rainha do Rádio em 1948, dez anos depois de ter estourado em 1938 com a gravação de Periquitinho verde (Antônio Nássara e Sá Roris), primeiro de série de hits carnavalescos que também destacou A mulher que é mulher (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, 1954). E cabe ressaltar que Dircinha também sabia encarar o melodrama do samba-canção.

Já Victoria Bonaiutti ficou imortalizada pelo nome artístico de Marlene. Também atriz, Marlene extrapolou o rótulo de cantora do rádio, ainda que tenha ficado primordialmente associada à passionalidade do público dos programas de auditório da Rádio Nacional pela forjada rivalidade com a contemporânea Emilinha Borba (1923 – 2005).

Cantora que sabia cair no samba, Marlene deu voz a sucessos como Lata d’água (Jota Junior e Luiz Antônio, 1952), Zé Marmita (Brasinha e Luiz Antonio, 1953), Mora na filosofia (Monsueto Menezes e Arnaldo Passos, 1955) e O apito no samba (Luiz Bandeira e Luiz Antônio, 1959) ao longo dos anos 1950.

Finda a era do rádio, a intérprete também brilhou, com a notória carga dramática, em shows teatralizados como É a maior! (1969) e, sobretudo, Te pego pela palavra (1974).

Tanto Dircinha Batista como Marlene merecem celebrações póstumas em 2022, ano em que se tornam centenárias.