Como cobrir a cultura pop jovem? Desde os anos 40, essa pergunta vem sendo feita…

Tomando o lançamento da revista americana “Seventeen” como um marco, desde 1944 jornalistas se perguntam: como cobrir a cultura pop jovem?
Quais os desafios de “falar” com adolescentes e como é feito o jornalismo cultural pensado para adolescentes, principalmente garotas?
Nesta semana, o Portal Web Rádio Xis foi atrás dessas e de outras perguntas.

A “Capricho” surgiu em 1952, como uma revista feminina. Foram várias encarnações:

Começou com fotonovelas;
Passou a falar de comportamento;
Virou a “revista da gatinha”, nos anos 80;

E, em uma última temporada, apostou muito em estrelas da Disney e popstars, até 2015, quando parou de ser publicada.

Thiago Theodoro atuou como repórter, editor e diretor de redação da “Capricho”. Posteriormente 13 anos na revista, hoje ele tem dois podcasts: “Estamos Bem?” e “E aí, gay?”. Ele lembra que a publicação teen viveu o auge em uma época pré-Instagram:

“Esse tempo acabou, porque hoje você vê a vida da celebridades o tempo todo. Naquela época, nós éramos as testemunhas.”

Antes, os repórteres da “Capricho” e de outras publicações destinadas aos novinhos encontravam as celebridades e explicavam como elas eram longe dos holofotes.

“Eu me lembro que meus títulos de matéria eram ‘Fulana se mexe desse jeito, usa tal perfume, usa tal roupa, usa tal tênis’. Ele abraça, ele beija, ele aperta a mão. A gente encontrava essas pessoas e tinha que passar em um texto impresso as sensações de ver”, recorda Thiago.

“Hoje, a Demi Lovato, a Selena Gomez ou os mais recentes como Ariana e Shawn Mendes… hoje, eles abrem a câmera e contam tudo. É muito legal para os fãs.”

Para quem vive de relatar o que acontece na cultura pop jovem, não é tão legal assim. “Isso fica muito complicado. Quais os segredos que os famosos têm pra relatar gente, né?”, pergunta o ex-editor da revista.

Fernanda Catânia foi repórter da “Capricho” e hoje é mais conhecida pelo apelido, Foquinha. Ela é youtuber de cultura pop e apresenta o podcast “Donos da Razão”.

Ela concorda que era (e ainda é) difícil fazer uma cobertura jornalística bem feita, sem ser chapa branca, mas que precisa entregar o que a leitora queria, uma chance de se sentir mais próxima dos artistas que ela gosta.

“Às vezes, a gente não pode esconder algumas coisas e não temos que ser críticos com algumas coisas do artista. A gente tinha que se colocar no lugar da leitora. Logo, era muito frágil mesmo.”

Ela lembra que, nos tempos da “Capricho”, a redação mergulhava no universo da leitora. “A gente era perito em adolescente, era nossa responsabilidade estudar as adolescentes.”

A equipe da revista ia à casa das leitoras e conversava com elas: um grande estudo era feito e distribuído para a redação. Tudo isso era para tentar “pensar com a cabeça das leitoras”.

“Eu pensava como uma adolescente na hora de redigir, sabe? Era isso que a gente levava em consideração. Tinha também uma responsabilidade, a gente tinha que criticar algumas coisas para abrir o olho da leitora, mas acho que era muito sutil.”