Clarinetista Caetano Brasil propõe outros caminhos para obra de Pixinguinha em álbum previsto para 2022

Um dos pilares que sustentam a música produzida no Brasil desde o início do século XX, a obra de Alfredo da Rocha Vianna Filho (23 de abril de 1897 – 17 de fevereiro de 1973), o Pixinguinha, conserva frescor no século XXI.

Calcada no choro, essa obra abrange gêneros musicais como samba, maxixe, valsa e o jazz com o qual o clarinetista e saxofonista mineiro Caetano Brasil sugere outros caminhos para a música de Pixinguinha em álbum instrumental em tributo ao compositor, saxofonista, flautista e maestro carioca.

Intitulado Pixinverso – Infinito Pixinguinha, o terceiro álbum de Caetano Brasil está em período de gravação e propõe reaproximações entre o choro e o jazz contemporâneo com o tempero da world music. Caetano intenciona oferecer outro olhar sobre temas de Pixinguinha.

A releitura do choro-canção Carinhoso (1917) – escolhida para ser a primeira amostra do disco em single programado para 10 de setembro – mostra, ao longo de cinco minutos e 13 segundos, que Caetano Brasil segue de fato outros caminhos harmônicos ao abordar a música mais famosa do cancioneiro de Pixinguinha.

A gravação do álbum Pixinverso – Infinito Pixinguinha é consequência procedente da trajetória de Caetano Brasil, músico que já está em cena há onze anos com prestígio ascendente na cena instrumental brasileira, tendo lançado o primeiro álbum, Caetano Brasil (2015), há seis anos.

A obra do compositor de Rosa (1917) – valsa também selecionada por Caetano Brasil para o repertório do disco – vem sendo tocada continuamente pelo clarinetista mineiro em apresentações em rodas de choro e em salas de concerto.

Aliás, a ideia do disco Pixinverso começou a ser gerada quando o clarinetista ainda gravava o segundo álbum, Cartografias (2019). Na ocasião, Caetano Brasil chegou a abordar o choro Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946) em gravação editada em single em dezembro de 2020.

Caetano Brasil explica as intenções do disco em que aborda sucessos e também temas menos ouvidos da obra de Pixiguinha, caso da Canção da odalisca (Pixinguinha com letra de Uriel Lourival, 1932), tema que somente chegou ao disco em 2009:

“Quero reapresentar Pixinguinha para o meu tempo de confusão urbana, de prédio e de internet, com todas as interferências que as ondas invisíveis que nos atravessam podem ocasionar. Pixinverso propõe uma reconexão com a cultura popular brasileira – da qual Pixinguinha é embaixador – com a essência do choro, que é provavelmente o retrato musical mais fidedigno do nosso povo”, acredita o músico.

Os arranjos do álbum Pixinverso são feitos para formação de quarteto. Além do clarinete e/ou saxofone tocados por Caetano Brasil, há piano, baixo e bateria. “Os arranjos têm características muito dinâmicas – quase camerísticas – em que os quatro instrumentos principais se revezam nas funções de solista e acompanhador, surpreendendo o ouvinte a cada esquina, mesmo nas melodias que já têm lugar cativo em nossos corações. Planejo ainda algumas variações desta formação básica, como duo meu com piano e adição de outros instrumentos, como quarteto de cordas e acordeom para perfumar ainda mais alguns capítulos desta história”, adianta Caetano Brasil, com lirismo.