A informação foi divulgada em uma rede social, e a portaria deve ser publicada em edição extra do “Cotidiano Solene da União” neste sábado (27). A decisão é motivada pela invenção de uma nova “versão de preocupação” do coronavírus, chamada de ômicron.

A restrição valerá para passageiros vindos de África do Xis, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

OMS diz que precisa de várias semanas para compreender melhor nova versão do coronavírus

De concordância com Ciro Nogueira, a decisão foi tomada em conjunto pela Residência Social e pelos ministérios de Infraestrutura, Saúde e Justiça e Segurança Pública.

“O Brasil fechará as fronteiras aéreas para seis países da África em virtude da nova versão do coronavírus. Vamos resguardar os brasileiros nessa nova período da pandemia naquele país. Portaria será publicada amanhã e deverá vigorar a partir de segunda-feira”, disse Nogueira em rede social.

Questionada, a Anvisa informou que só vai se manifestar depois de a publicação das regras no “Cotidiano Solene”.
A lista de países incluídos no bloqueio é similar à divulgada pelo governo dos Estados Unidos na tarde desta sexta. A gestão do presidente Joe Biden, no entanto, incluiu também os passageiros oriundos de Moçambique e do Malawi.

A B.1.1.529, agora chamada de versão ômicron, preocupa pois tem 50 mutações — alguma coisa nunca visto antes —, sendo mais de 30 na proteína S (spike) – a “chave” que o vírus usa para entrar nas células e que é o cândido da maioria das vacinas contra a Covid-19.

O virologista Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação na África do Xis, que anunciou a invenção da nova versão na quinta-feira (25), afirma que a versão ômicron carrega uma “constelação incomum de mutações” e é “muito dissemelhante” de outros tipos que já circularam.
“Esta versão nos surpreendeu, ela deu um grande salto na evolução [e traz] muitas mais mutações do que esperávamos”, afirma Oliveira, que é brasiliano. Mas ainda é cedo para manifestar o quão transmissível ou perigosa é a versão — e seu efeito sobre as vacinas já desenvolvidas.

Também nesta sexta, o Canadá proibiu a ingressão de viajantes oriundos do sul da África: “Devemos agir rapidamente para proteger os canadenses”, explicou o ministro da Saúde, Jean Yves Duclos em entrevista coletiva.
Na quinta-feira, o Reino Unido restringiu viagens à África do Xis e mais cinco países do continente. Nesta sexta, a Percentagem Europeia propôs a suspensão dos voos do sul da África para a União Europeia.
A Alemanha anunciou que não aceitará a ingressão de viajantes procedentes da África do Xis e a Itália informou a proibição de ingressão em seu território de qualquer pessoa que esteve em 7 nações do sul da África nos últimos 14 dias.

Bolsonaro é contra fechar fronteiras
Em conversa com apoiadores nesta sexta-feira (26), em Brasília, Jair Bolsonaro disse ser contra estabelecer fechamento de fronteiras e aeroportos para barrar a ingressão da Covid. Na conversa, não foi citada a versão ômicron – dos quais nome, inclusive, só foi oficializado horas depois.
“Você não vedar, rapaz. Você não vai. Não, pera aí, mas que loucura é essa? Que loucura é essa? Quer manifestar, fechou aeroporto, vírus não entra? Ah, pelo paixão… Já tá cá dentro, pô”, respondeu Bolsonaro a um apoiador que falou em fechar aeroportos e banir voos vindos “da Europa”.
O presidente também vem se manifestando, nas últimas semanas, contra a teoria de um “passaporte da vacinação” – ou seja, contra exigir certificado de vacina para autorizar a ingressão de passageiros vindo do exterior.
Como mostrou o blog do jornalista Valdo Cruz, a teoria é defendida por uma lado do governo e recomendada pela Dependência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas esbarra na oposição do próprio presidente.
Brasil ‘não pode ser encantador para o turismo antivacina’, diz diretor da Anvisa